A importância do uso dos acessórios ao longo dos tempos
- moon33loja
- 4 de out. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de dez. de 2025

Quando o adorno é rito, memória e poder
Muito antes da moda, antes da estética e antes do conceito de tendência, os acessórios já existiam como linguagem sagrada. Eles nasceram como extensão do corpo e da alma, símbolos visíveis de identidade, proteção e pertencimento.
Os primeiros adornos conhecidos pela humanidade foram feitos de conchas e ossos, usados como talismãs. Achados arqueológicos na caverna de Blombos, na África do Sul, revelam que há mais de 75 mil anos o ser humano já compreendia o poder simbólico do adorno. Não era vaidade. Era rito.
Desde então, acessórios atravessaram eras como marcadores de status, espiritualidade e força. Com a transição da Idade da Pedra para a Idade dos Metais, surgiram técnicas de fundição em bronze, cobre e ouro, combinadas com pedras naturais como ametista, turquesa, lápis-lazúli, jaspe e cornalina , minerais escolhidos não apenas pela beleza, mas pela energia que carregavam.
O colar mais antigo já registrado, datado de aproximadamente 5.000 a.C., foi encontrado no norte do atual Iraque. Produzido com obsidianas ,o vidro vulcânico negro era considerado um objeto de extremo luxo na Mesopotâmia. Negro como a noite, afiado como a lâmina da consciência.
Nos tempos antigos, acessórios não eram supérfluos. Eram escudos simbólicos. Colares de ossos protegiam espiritualmente. Cintos e presilhas sustentavam vestimentas e postura. Luvas protegiam o corpo físico. Tudo tinha função, intenção e sentido.
No Egito Antigo e em outras grandes civilizações, coroas, pulseiras e colares de ouro eram reservados a reis, faraós e sacerdotisas.
O adorno marcava quem comandava, quem guardava o conhecimento e quem sustentava o eixo entre o visível e o invisível.
O mesmo eco se repetiu nas monarquias e sociedades feudais europeias.
Com o Renascimento e os períodos artísticos que se seguiram, os acessórios passaram a expressar também a individualidade. Já não eram apenas símbolos de hierarquia, mas de identidade pessoal.
Nos séculos XIX e XX, com a consolidação da moda como linguagem cultural, os acessórios assumiram protagonismo absoluto. Coco Chanel foi uma das mulheres que rompeu códigos e mostrou que um acessório podia transformar o simples em icônico e a mulher em soberana de si mesma. Ao mesmo tempo, as subculturas urbanas usaram adornos como forma de ruptura, rebeldia e afirmação.
A criação de novos materiais no século XX democratizou o acesso aos acessórios, permitindo que mais pessoas utilizassem o adorno como expressão pessoal. O que antes era privilégio, tornou-se voz.


















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